ONU pede a abertura da fronteira entre República Dominicana e Haiti

18 set 2023
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O especialista designado pela ONU para os direitos humanos no Haiti manifestou, nesta segunda-feira (18), sua "grande preocupação" pelo fechamento da fronteira entre a República Dominicana e o Haiti e instou as autoridades dominicanas a reconsiderarem a decisão.

William O'Neill advertiu sobre os "sérios impactos" para os dois países da decisão do presidente dominicano, Luis Abinader, de fechar a fronteira com seu vizinho até que as autoridades haitianas desistam da construção de um canal para desviar água do rio Masacre, compartilhado pelos dois países.

Embora muitas empresas da República Dominicana possam ser afetadas pela medida, assim como muitos trabalhadores haitianos, do lado do Haiti "o impacto será ainda mais grave", explicou.

A insegurança e a violência que os grupos armados impõem neste país fazem com que muitos produtos essenciais como alimentos, equipamentos médicos e medicamentos sejam importados do país vizinho.

"Diretores de clínicas médicas do Haiti me disseram que não poderão atender os seus pacientes se o acesso à República Dominicana for cortado. Há vidas em jogo", advertiu.

O Haiti recebe pelo menos 25% dos alimentos da República Dominicana e muitas escolas da região limítrofe compram na fronteira os alimentos que utilizam no almoço de seus alunos. O acesso à água também será dificultado, lembrou.

"Insto a República Dominicana a permitir a entrega de todo tipo de ajuda humanitária e bens essenciais ao Haiti para evitar agravar uma crise que já é grave por si só", disse em um comunicado emitido de Genebra.

"Atualmente, a incessante violência e as violações e abusos dos direitos humanos no Haiti não permitem o retorno seguro, digno e sustentável dos haitianos ao país", recordou.

O'Neill também pediu aos governos de ambos os países, que compartilham a ilha caribenha de São Domingos, que voltem à mesa de negociações e que alcancem uma resolução pacífica dessa disputa.

País mais pobre da América, o Haiti está mergulhado há anos em uma crise econômica e política agravada pela violência das gangues, que impõem a lei do mais forte em boa parte do território.


FONTE: Estado de Minas


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