Imagem de São Francisco que retornou à paróquia de Cipotânea é confirmada como obra de Aleijadinho

20 maio 2023
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Trabalho foi conduzido por especialistas do Centro de Conservação e Restauração de Bens Culturais da UFMG. Obra restaurada foi devolvida à Igreja Matriz de São Caetano no mês passado. A restauradora do Cecor Moema Nascimento e a diretora Alessandra Rosado nos trabalhos de restauração da escultura de São Francisco de Assis

Ewerton Martins Ribeiro | UFMG

Especialistas do Centro de Conservação e Restauração de Bens Culturais (Cecor) da Escola de Belas Artes (EBA) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) confirmaram que parte da imagem que retornou ao município de Cipotânea, na Zona da Mata mineira, é de Aleijadinho.

A peça sacra foi devolvida à Igreja Matriz de São Caetano no mês passado, após ser restaurada. Os estudos feitos pela UFMG concluíram que a cabeça da escultura foi produzida pelo artista mineiro.

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A imagem, feita em madeira policromada, com 127 cm de altura e aproximadamente 16 kg, está exposta na Igreja Matriz de São Caetano, todos os dias, das 8h às 19h.

Antes, devido ao estado que se encontrava, ficou guardada em uma sala do subsolo da casa paroquial.

Técnicas para confirmação

Os estudos de autenticidade começaram na mesma época em que imagem foi encaminhada para restauração.

Durante o processo, os pesquisadores compararam as características da imagem de São Francisco com obras documentadas de Aleijadinho.

Imagem de São Francisco de Assis antes e depois da restauração

Cláudio Nadalin/Cecor

“Para fazer uma atribuição, primeiro é necessário estudar tudo que já foi escrito sobre o artista. É o que chamamos de revisão da literatura", explica Alessandra Rosado, professora do Departamento de Artes Plásticas da Escola de Belas Artes e atual diretora do Cecor.

Em seguida, foi realizado um levantamento do cânone do artista, para só então começar o trabalho de comparação minuciosa, com base na história da arte.

“Nesse trabalho, vamos observar os detalhes: a forma de fazer o cabelo, os olhos, a orelha, o nariz, a boca, a barba.”

Também foram feitos estudos de materiais e técnicas utilizadas, com base nos produtos e nos modos típicos de produção da época, como madeira, técnica para esculpir e tipo de tinta.

Imagem de São Francisco de Assis antes e depois da restauração no Cecor/ UFMG

MPMG/Divulgação

Ainda foi feito um estudo a partir de análises físico-químicas, que resultaram em laudo técnico específico de 11 páginas.

“O método de trabalho primou pela interdisciplinaridade, com pesquisas nos campos da história, história da arte, iconografia, ciências da conservação e principalmente abordando a ética e os critérios de restauração da escultura, para garantir um trabalho de excelência”, diz a pesquisadora. Segundo ela, “todas as características são compatíveis com o final do século 18, descartando possibilidade de um falso”, registra-se.

A atribuição de autoria é a primeira realizada pelo Cecor.

Produção entre 1790 e 1792

Conforme a UFMG, os estudos indicam que a cabeça da imagem foi produzida por Aleijadinho entre os anos de 1790 e 1792, na própria região de Cipotânea.

Documentos da época também comprovam que o escultor viveu em Rio Espera, a apenas 13km de Cipotânea, quando trabalhou no retábulo-mor da Igreja de São Francisco de Assis de Ouro Preto.

“Também não podemos desconsiderar que, na região, havia fartura de madeira de qualidade para confecção do retábulo, já que, de acordo com os documentos, o trabalho do retábulo de São Francisco de Assis de Ouro Preto teve início em Espera”, explica Rosado.

Ela lembra que há três obras atribuídas a Aleijadinho com origem em Rio Espera: São José de Botas, Bom Jesus da Paciência e Nossa Senhora da Piedade, padroeira local.

São Francisco da Penitência

Cláudio Nadalin/Cecor

Projeto Extramuros

A restauração da imagem de São Francisco foi realizada como parte do Projeto Extramuros, viabilizado por meio de convênio entre Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico (Iepha-MG), Fundação de Desenvolvimento da Pesquisa (Fundep) e Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Os repasses para os trabalhos foram a partir de recursos obtidos em medida compensatória de Termo de Ajustamento de Conduta com empreendimento minerário.

O projeto restaurou obras de outras 23 cidades mineiras: Chapada do Norte, Januária, Jequitibá, Brejo do Amparo, Santo Antônio de Pirapetinga, Santo Antônio do Norte, Conceição do Mato Dentro, Couto Magalhães e Piranga.

De acordo com a paróquia, a imagem, feita em madeira policromada, com 127 cm de altura e aproximadamente 16 kg, ficará exposta na Igreja Matriz de São Caetano, todos os dias, das 8h às 19h.

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FONTE: G1 Globo

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