Djonga diminui o teor de angústia ao versar sobre amor e sexo no álbum ‘Inocente demotape’

17 out 2023
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Rapper deixa temas pesados, como racismo e violência, para falar de questões pessoais e buscar outros caminhos sonoros em disco que inclui MC Cabelinho e Thiago Lisboa. Capa do álbum Inocente “demotape”, de Djonga

Coniiin

Resenha de álbum

Título: Inocente “demotape”

Artista: Djonga

Edição: A Quadrilha

Cotação: ★ ★ ★ 1/2

♪ Até que nem tão leve assim... Reproduzido em boa parte da imprensa musical, o discurso construído em torno do sétimo álbum de Djonga – Inocente “demotape”, lançado na última sexta-feira, 13 de outubro – enfatiza que o rapper mineiro versa com leveza sobre temas do cotidiano.

Na comparação com álbuns anteriores como Heresia (2017), O menino que queria ser Deus (2018), Ladrão (2019), Histórias da minha área! (2020), Nu (2021) e O dono do lugar (2022), é fato que houve mudança de foco. Temas como racismo, injustiça e as violências sofridas pelo homem negro na esfera social dão lugar a reflexões menos pesadas sobre amor e sexo na esfera pessoal do artista.

Em Valeu a batalha, por exemplo, faixa produzida por Nagalli com Bvga e Honaiser, Gustavo Pereira Marques – nome real de Djonga, cantor e compositor nascido em 4 de junho de 1994 em Belo Horizonte (MG) – se questiona se pode estar confundindo amor e paixão com carência.

O teor de angústia do álbum Inocente “demotape” é bem menor do que o de outros discos. Ainda assim, leveza está longe de ser o adjetivo mais preciso para caracterizar um álbum em que Djonga fala de amor e sexo no cotidiano – assunto de músicas como 5 da manhã e Das amantes (Freestyle) – mas sem esquecer que vive em mundo que beira o caos, como o rapper enfatiza em verso da faixa Da lua, gravada com adesões de Veigh e Thiago Lisboa no canto.

Djonga afirma que a feitura de Inocente “demotape” é fruto de “processo de vida extremamente pessoal”, mas o argumento é fluido, já que álbuns anteriores, como Histórias da minha área!, também pareceram enraizados em vivências do artista e, em última instância, também são pessoais.

Outra mudança significativa imposta por Inocente “demotape” na discografia do rapper é a ausência de Coyote Beatz, habitual colaborador de Djonga, na produção das oito faixas. Um time capitaneado por Nagalli, Bvga e Honaiser – mas com atuações de Ajaxx, H4lfmeasures, Jhxw e Rapaz do Dread – foi arregimentado para dar forma a temas como Camarote e Coração gelado, faixa gravada por Djonga comn TZ da Coronel. Musicalmente, o rapper transita por estilos como trap, hall, dance e Jersey club em repertório que traz MC Cabelinho na música Depois da meia-noite.

Com capa que referencia a imagem do segundo e mais famoso LP da cantora norte-americana Minnie Riperton (1947 – 1979), Perfect angel (1974), Inocente “demotape” é álbum de menor impacto na discografia de Djonga. Mas procura abrir portas e caminhos para esse afiado rapper alçado ao longo dos últimos sete anos à linha de frente do hip hop brasileiro.


FONTE: G1 Globo


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