Alvin Bragg, o procurador progressista de NY que pode indiciar Trump

23 mar 2023
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Alvin Bragg se tornou o primeiro procurador afro-americano a ser eleito para o Ministério Público de Manhattan e agora pode entrar para a história como o primeiro a indiciar um ex-presidente dos Estados Unidos.

Eleito nas urnas em novembro de 2021 como procurador distrital, ele herdou a investigação criminal contra Donald Trump por pagar US$ 130 mil (cerca de R$ 560 mil) à atriz pornô Stormy Daniels. O dinheiro teria sido usado para comprar seu silêncio por uma suposta relação sexual, na reta final da campanha presidencial de 2016.

No cargo desde 1º de janeiro de 2022, Bragg, de 49 anos, nascido no Harlem, norte de Manhattan, habitado principalmente por latinos e negros, ficou conhecido por suas posições progressistas em matéria penal e repressiva: buscar alternativas à prisão para autores de pequenos delitos e pôr ênfase nos crimes de colarinho branco e financeiros.

A agressividade da polícia nova-iorquina no bairro, ao longo de sua adolescência na década de 1980, forjou sua visão de justiça.

Em entrevista à revista American Prospect em 2021, Bragg disse que foi "profundamente afetado pelo sistema de justiça criminal, especialmente por três detenções sob a mira de uma arma da polícia de Nova York durante verificações inconstitucionais".

- "Sem confiança não há segurança" -

"Você não pode ter segurança pública plena sem confiança", disse Bragg, que se formou na Universidade de Harvard e trabalhou para o procurador-geral de Nova York e para o Ministério Público do sul Manhattan.

Seu começo como procurador distrital não foi fácil. Poucos dias depois de assumir o cargo, Bragg anunciou que não perseguiria pequenos delitos e buscaria penas de prisão apenas para os crimes mais graves.

Um mês depois, viu-se obrigado a rever sua política, após a reação furiosa do Departamento de Polícia de Nova York e das críticas do prefeito democrata Eric Adams, que assumiu o cargo prometendo linha dura contra a criminalidade.

Bragg também foi criticado por sua suposta indecisão sobre a investigação de Trump, iniciada por seu antecessor Cyrus Vance em 2018.

Dois procuradores principais abandonaram a investigação sobre os negócios de Trump em fevereiro de 2022, lançando dúvidas sobre seu futuro.

- 'Pragmático' -

O gabinete do procurador emitiu um comunicado, afirmando que o caso estava em andamento. No fundo, estava refinando o marco legal, no qual enquadraria o pagamento de US$ 130 mil a Stormy Daniels.

Em dezembro, Bragg conseguiu condenar a Trump Organization e outra entidade da família por fraude e sonegação de impostos por anos, por meio de um sistema de falsificação de registros comerciais.

Allen Weisselberg, ex-diretor financeiro da empresa familiar do ex-presidente, foi condenado a cinco meses de prisão e US$ 2 milhões (cerca de R$ 7 milhões) em multas por seu papel no golpe, em troca de colaboração com a Justiça.

Trump não está diretamente implicado, mas essa condenação teria dado ao procurador confiança para formar um grande júri e começar a ouvir a apresentação de provas na investigação do dinheiro para comprar o silêncio da atriz.

"Bragg se mostrou flexível e pragmático", disse à AFP o ex-procurador Bennett Gershman, elogiando-o por sua "investigação agressiva" de Trump.

O ex-presidente ataca o promotor, repetidamente, chamando-o de "racista", de pertencer à "esquerda radical" e de ser "corrupto e altamente político".

No último fim de semana, Bragg deixou claro para sua equipe que "não vai tolerar tentativas de intimidar nosso escritório, ou de ameaçar o Estado de direito em Nova York".

Nesta quinta-feira, ele escreveu uma carta ao presidente do Comitê de Justiça do Congresso americano, o republicano Jim Jordan, que tentou interferir no caso, e garantiu-lhe que a Procuradoria "não permitirá que uma investigação do Congresso impeça o exercício do poder policial soberano de Nova York".

THE NEW YORK TIMES COMPANY


FONTE: Estado de Minas


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