Jovem membro da Guarda Nacional é acusado de vazar documentos confidenciais dos EUA

14 abr 2023
Fique por dentro de todas as notícias pelo nosso grupo do WhatsApp!

Um jovem membro da Guarda Nacional dos Estados Unidos foi acusado nesta sexta-feira (14) de orquestrar o vazamento mais prejudicial de informações confidenciais no país em uma década. O governo de Joe Biden indicou que pretende enviar uma mensagem de exemplo.

O presidente americano, Joe Biden, ordenou, nesta sexta, aos serviços de inteligência "assegurar e limitar ainda mais" a transmissão de material sigiloso, depois da acusação do jovem.

"Enquanto ainda estamos determinando a autenticidade destes documentos, ordenei aos serviços militares e de inteligência que tomem medidas para assegurar e limitar ainda mais a distribuição de informação confidencial, e nossa equipe de segurança nacional está se coordenando estreitamente com nossos parceiros e aliados", disse Biden em um comunicado da Casa Branca.

Jack Teixeira, de 21 anos, foi preso na quinta-feira após uma investigação de uma semana sobre o vazamento de documentos que revelaram preocupação sobre a viabilidade de uma próxima contraofensiva das forças de Kiev contra as tropas russas, assim como sobre as defesas aéreas ucranianas, e deram sinais de que os Estados Unidos estariam espionando aliados como Israel e Coreia do Sul.

É a maior violação de segurança desde o vazamento de documentos da Agência de Segurança Nacional por Edward Snowden em 2013 e levanta questões sobre o acesso do simples oficial Teixeira a segredos de alto nível.

Teixeira, que vestia um macacão bege e parecia desconsolado em sua primeira apresentação a um tribunal federal em Boston, foi acusado de "retenção e transmissão não autorizada de informações confidenciais de defesa nacional".

Também foi acusado de "subtração e retenção não autorizada de documentos e materiais confidenciais". As acusações podem receber penas de prisão de 10 anos e cinco anos, respectivamente.

Em um momento durante a breve audiência, seu pai gritou: "Te amamos, Jack", a quem o jovem respondeu: "Também te amo, papai".

Ele não foi obrigado a declarar-se culpado e ficou detido à espera de uma nova audiência programada para a próxima quarta-feira.

- "Penas muito rígidas" -

O procurador-geral dos Estados Unidos, Merrick Garland, disse que há "penas muito rígidas" associadas aos crimes que supostamente Teixeira cometeu.

"As pessoas que assinam acordos para poder receber documentos classificados reconhecem a importância para a segurança nacional de não divulgar esses documentos, e pretendemos enviar essa mensagem da importância para nossa segurança nacional", acrescentou.

Teixeira é suspeito de publicar os documentos secretos, alguns datados do início de março, em um grupo de bate-papo privado na rede social Discord.

O jornal The New York Times indicou Teixeira como o administrador de um grupo chamado Thug Shaker Central, e segundo os informes, publicou os documentos utilizando o codinome "OG".

Primeiro transcreveu o conteúdo dos documentos confidenciais para compartilhar com o grupo, mas depois os fotografou e pediu aos demais membros que não os compartilhassem, segundo o jornal The Washington Post.

Alguns dos documentos apareceram mais tarde em outros sites de internet, incluindo Twitter, 4Chan e Telegram.

- Católico devoto e libertário -

Os investigadores ainda não forneceram pistas que indiquem os motivos de Teixeira para divulgar os documentos.

A Guarda Nacional dos EUA disse que Teixeira se alistou em setembro de 2019 e é um especialista em tecnologia da informação e comunicação que alcançou o posto de aviador de 1ª classe, o terceiro mais baixo para membros da Força Aérea.

Os amigos de Teixeira o descreveram ao jornal The Washington Post como um católico devoto e um libertário interessado em armas.

O jornal informou que ele vem de uma família com décadas de serviço militar. Seu pai passou 34 anos na mesma unidade militar que seu filho, enquanto a mãe de Teixeira trabalhava para organizações sem fins lucrativos que apoiam veteranos.

A prisão de Teixeira na quinta em sua casa em North Dighton, sul do estado de Massachusetts, foi transmitida ao vivo por emissoras de televisão americanas.

Imagens aéreas mostraram o suspeito, de bermuda vermelha e camiseta, com as mãos atrás da cabeça, recuando lentamente em direção aos agentes fortemente armados e camuflados, que o prenderam.

Um declaração judicial de um agente do FBI divulgada nesta sexta afirmava que Teixeira possuía uma autorização de segurança ultrasecreta desde 2021.

O secretário de Defesa americano, Lloyd Austin, informou que ordenou uma revisão dos "procedimentos de acesso, responsabilidade e controle de inteligência dentro do departamento (de Defesa) para informar nossos esforços para evitar que esse tipo de incidente aconteça novamente".

THE NEW YORK TIMES COMPANY


FONTE: Estado de Minas


VEJA TAMBÉM
FIQUE CONECTADO