Parlamentares pedem abertura de CPI para investigar casos de assédio

05 jul 2023
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Deputados do Partido dos Trabalhadores (PT) enviaram um ofício ao presidente da Assembléia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) requisitando a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar as denúncias de assédio moral e sexual dentro da Polícia Civil.
O documento é assinado pelos deputados Doutor Jean Freire, Andréia de Jesus, Beatriz Cerqueira, Cristiano Silveira, Leleco Pimentel, Leninha, Lohanna, Luizinho, Macaé Evaristo e Ricardo Campos.
 
O pedido acontece em meio às denúncias de assédio dentro da instituição, principalmente após a escrivã Rafaela Drumond tirar a própria vida, no último dia 9 de junho. Após o ocorrido, outros casos vieram à tona no estado. 
 
 
 
Segundo a deputada Beatriz Cerqueira, a CPI pode ajudar a acelerar a investigação envolvendo o caso de Rafaela. "Precisamos dar uma resposta mais robusta em relação a essa situação absurda. Uma jovem perdeu a vida. É muito grave, precisamos proteger nossas mulheres e dar um recado rápido que não toleramos assédio, violência política contra as mulheres. Por isso uma CPI pode cumprir uma importante tarefa de jogar luz nesse processo", disse.  
 
Na próxima sexta-feira (7), a ALMG vai realizar uma audiência pública onde serão ouvidas vítimas dos abusos e representantes da Polícia Civil. A reunião acontece no auditório da casa às 09h30. Além de discutir o caso da morte da escrivã, a reunião também irá debater a atual situação da saúde mental dos servidores.
O encontro havia sido agendado para a última sexta (30), mas foi cancelado após a Secretária de Estado de Planejamento e Gestão, Luísa Barreto, informar que não podeira comparecer.
 

Relembre o caso de Rafaela Drumond

No dia 9 de junho, Rafaela estava na casa dos pais, na cidade de Antônio Carlos, na região do Campo das Vertentes, quando tirou a própria vida.
A escrivã trabalhava em uma delegacia em Carandaí. Nos últimos meses, Rafaela teve mudanças em sua personalidade, passando a ficar mais retraída e calada. O fato chegou a incomodar os pais que, após uma conversa com ela, foram informados de que ela estava estudando para um concurso de Delegada da instituição. 
Semanas antes do ocorrido, Rafaela chegou a denunciar casos de assédio moral e sexual dentro da delegacia em que era lotada. Imagens e áudios que circulam nas redes sociais mostram relatos da policial que, em alguns deles, detalha os assédios que sofria. Ela também reclamava das escalas de trabalho e da falta de folgas. “Ele ficava dando em cima de mim. Teve um povo que foi beber depois da delegacia, pessoal tinha mania disso de fazer uma carne. Ele começou a falar na minha cabeça, e eu ficava com cara de deboche, não respondia esse grosso. De repente ele falava que polícia não é lugar de mulher. No fim das contas, ele me chamou de piranha”, disse ela em um dos áudios.
A briga teria começado por causa de um pedido de mudança na escala de folgas, uma das principais reclamações da escrivã enquanto trabalhava. “Ele falou que eu tinha cismado com isso, falando que ele tava de implicância. Ele disse que eu não gosto de receber ordens. Mas não é isso, ele estava implicando por causa do carnaval”, disse.
Na última quinta-feira, a Corregedoria-Geral da Polícia Civil de Minas Gerais anunciou que tomou a frente da investigação “de forma exclusiva” sobre a morte de Rafaela. Com isso, tanto a presidência do inquérito policial, quanto a apuração do processo disciplinar do caso serão feitas pela sessão. “A PCMG reforça que as investigações continuarão sendo conduzidas de maneira isenta e imparcial.”
Desde que o caso veio à tona, um delegado e um investigador que teriam envolvimento nas situações narradas pela escrivã foram transferidos para outra delegacia da PCMG, em Conselheiro Lafaiete, também na Região Central de Minas.  

FONTE: Estado de Minas

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